domingo, 1 de maio de 2011

A CAMINHO DA REDENÇÃO!

Ontem à tarde, passando por uma das ruas do centro de Belo Horizonte, me deparei com uma figura cotidiana do cenário urbano. Talvez seja cotidiana em qualquer cidade do Brasil.
Havia ali um senhor, pelo menos ao que parecia, puxando pela avenida um enorme carrinho. O diminutivo não faz de maneira alguma jus ao aparato, que era um enorme trambolho. Lotado de todo tipo de tranqueira descartável.
Vinha pela rua arrastando aquela geringonça e atrapalhando o tráfego. Puxava o carrinho, por entre os carros nas vias repletas. Entre um e outro veículo que passava por ele, ouviam-se impropérios e maledicências. “Sai da frente!”, “Tá cego!”, “Quer morrer!”, entre outros descabidos para estas linhas.
A cena me levantou a questão: qual pena esse coitado está pagando? A cidade escura, iluminada pelos faróis, parecia com recônditos infernais, representados por Dante em sua “Divina Comédia”. Os motoristas, como os demônios, carrascos do próprio satã, imolavam o pobre coitado.
Retomado da imagética caricatura que me passou pela mente, retornei à questão. De fato, aquele homem pena alguma pagava. Certamente, nascera no berço da ignorância, foi amamentado pela miséria e encontrou no trabalho a redenção. Mais vítima que algoz, mais consequência que causa. Encontrou na labuta de catador de materiais recicláveis caminho próspero e digno.
A resposta estava ali, clara, como os faróis dos ônibus que passavam. A pena quem paga somos nós. Jogando ao abismo da pobreza nossos cidadãos e compatriotas. Livrar o país da miséria é encontrarmos a salvação para nós mesmos, para o nosso país.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O ano que não se foi.


Começo de ano momento de reflexão e renovação das esperanças. Especialmente neste ano que trocamos alguns governantes e principalmente o presidente. Começamos também uma nova década e com ela novas e belas perspectivas para o futuro.

Mais dez anos de prosperidade, demandam os milhares de brasileiros que deixaram a pobreza e conquistaram maiores possibilidades de consumo.

No apagar de 2010, não faltaram flâmulas exaltando as conquistas da última década. Principalmente aquelas que propagam imagens de políticos e legendas, apresentando a apoteótica arrancada do país. Da miséria à classe média.

De fato, se houve avanço, certamente, foram ínfimos. Se os pobres e miseráveis puderam comprar eletrodomésticos ou fazerem adaptações nos barracos, os puxadinhos, foi somente para serem levados pelas enxuradas das tempestades de verão.

Mais uma vez os sentimentos de otimista e confiança num país sólido, com certeza, desceram enchente abaixo. Junto com móveis, televisores, geladeiras, animais estimados e o que pior; Brasileiros!

Eles também foram tragados pelo descaso de políticas irresponsáveis, gestões cínico-populistas que visam somente soluções imediatistas. Buscando a manutenção de currais eleitorais. Assim como a ganância pelo poder.

Se você está achando que o ano foi bom e próspero, pense nos compatriotas vítimas nas últimas chuvas, esquecidos pelo resto do país e por seus representantes. O clima é de eterno-retorno, parece que 2010 ainda não se foi. E como o ano que se encerra, vemos 2011 começando com as mesmas notícias!

Caro(a) amigo(a), mais um ano começa. Eu sei disso não porque estou renovando meus votos de esperança e felicitação aos amigos e parentes. Pelo contrário, muito mais pelo luto que sinto por nossos irmãos, brasileiros como eu, que simplesmente tiveram suas vidas arruinadas. E discordando dos infinitos noticiários que culpam as chuvas, creio que o problema seja mais grave.

Falta coragem e determinação dos governos para implementarem ações sérias que vão de encontro aos problemas de moradia, meio ambiente, saneamento básico, educação, distribuição de renda, infra-estrutura, urbanismo, transporte, segurança pública... … … …

Texto publicado no jornal Divinópolis edição de janeiro de 2011.