quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O primeiro voo!!


A beira do precipício longínquo, o homem não se decide se pula, e se lança no desconhecido da morte, ou se faz a volta e retorna à rotina. Ambas decisões representam um risco ao qual esse camarada não está disposto a bancar.

Levar a vida e correr os riscos e angústias inerentes a condição humana ou se lançar num voo fatal contra as rochas lá em baixo.

Preferiu se deitar entre a linha tênue que divide a vida e a morte. Com a cabeça apoiada sobre uma aconchegante pedra, esse mesmo homem, admira o primeiro voo dos pássaros que fazem residência no penhasco do abismo. Enquanto o sol faz sua jornada ao ocaso, ele admira uma jovem ave que sofre duras imposições por parte de outra, a pesar de ambas terem o mesmo aspecto físico, ele deduz que a que inflige golpes contra a outra seja a mãe que expulsa o filho do ninho. E o filhote, sem ter para onde se refugiar, bate as assas freneticamente e se lança no abismo, sumindo da vista do observador deitado no limiar.

O homem então, admirado pela ação da avezinha, chega a cabeça um pouco mais adiante para poder ver o destino do pobre filhote. Enquanto ele busca pela ave algo irônico irrompe na realidade, a pedra onde seu corpo se apoiava, a beira do precipício, rompe contato com o rochedo e ele vê seu corpo seguindo junto ao bloco a trajetória linear guiada pela gravidade. Antes que ele perdesse contato com o restante do rochedo e seguisse destino final ao sopé da montanha, ele se atira rumo a vida, e batendo a ponta do estômago contra a pedra consegui se agarrar a uma moita próxima ao abismo, ficando metade sobre o rochedo e o restante do corpo dependurado no vazio.

Enquanto o vento sopra forte e gelado, ele sente o fim lhe tragar para o fundo da cratera, donde seu corpo certamente teria destino derradeiro, caso não fosse suas forças recobrarem em seus braços, a respiração se elevou drasticamente e com uma força que nunca tinha empreendido antes conseguiu se agarra a uma fenda na rocha onde agora sua mão encontrou mais conforto para se apoiar e elevar suas pernas para longe do vácuo do precipício.

Rolou aliviado para longe do limiar, e ficou deitado admirando o céu, as nuvens esparsas e os pássaros flutuando nos ventos. Buscou acalmar a respiração e limpar o suor da testa, aos poucos se levantou bem devagar, sentou-se, agora mais distante do abismo, se recompôs e mais uma vez deu uma rápida olhada para o abismo que o olhou também. Virou-se, agora mais certo que deveria ir para casa, e ao dar uns quatro passos em direção a vida, viu pousado na árvore a sua esquerda, o filhote, olhando para ele, como se ele estivesse ali a algum tempo se admirando do esforço do homem, e ambos por segundos se reconheceram e então alçaram voo rumo a vida!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Esta Noite!

Nada me valha, não sem mesmo me dizer. Nesse momento que o tempo para, as horas dobram e o resoar dos relógios se dilaceram, meu texto é cruel. Crueldade sem limite. Me deite nas letras e nos espaços! Me corroi nessa tinta invisível e surreal, me leve para além dos dias. Me deixe vagar pela via-lactea e além, me leve! Deixa eu perder os laços da carne, me tritura texto meu, quero que tu me dilaceres, me faça pó. Nessa hora em que os relógios dobram. Curve diante de mim sr. Tempo e aceita ingrato minhas palavras, pois seras tu o leitor de minha alma.
Queres que parta para o infinito e assim o farei, caminharei sobre as estrelas, pisarei o manto negro do espaço e encontrarei paz nas palavras. Queira ou não minhas letras atravessam sua pérfida existência, pois te devoro e semeio meu canto, crudelíssimo!!!!