As coisas iam se desenrolando de modo meio digital. Como dígitos, sabe? Um depois do outro. A
vida hoje em dia é mesmo assim. Pela amanhã acordava, consumia sua droga, ia para o trabalho, beijava sua namorada, e dava um tapa na vertigem diária.Não que tudo isso não fosse excitante. Ou seria estressante? "Ninguém sossega!" Dizia ele. Corria atrás das horas enquanto elas o devorava. Devagarzinho, como a brasa do cigarro, que ele mesmo acendia.
Fumava para estar em outro lugar, e nunca chegava lá. Queria o dinheiro, era mesmo para se esbaldar. Comprar mais tempo, para ganhar mais. Hoje em dia ele comprava era tempo mesmo, mais nada o satisfazia. Queria o tempo para fazer aquele projeto. Depois de acabado queria mais ainda, para depois querer mais.
Então fumava, bem devagar, queimando o que lhe restava dos tempinhos que ia ajuntando.
Até que: "Para os diabos! Quero mesmo é trepar! Comer uma mulher como vi naquele filme na Internet. É aquele que a moça engolia tudo, talvez me engolisse logo de vez!"
A vida era mesmo um saquinho de excremento no qual ele enfiava a mão todos os dias! Só por diversão!
Ele estava afim, mesmo, de trabalhar como um doido. Sentia-se bem disposto, acordando aquela manhã ao lado de uma exuberante morena de acentuada cabeleira e corpo de deusa.
Quando ele assustou, ela estava ali querendo seu dedo. O que o deixou bem confuso porque ele lhe dera algo bem mais grosso. Enfim, não dava para enfiar a aliança, então ele deu foi o dedo mesmo.
E foi naquela tarde que ele parou, olhou para o horizonte e viu. O NADA!
Foi o que ele disse. Que parou e viu o nada! Quando perguntei para ele como era, ele me disse: "Não sei olhei para trás e estava cheio de coisas. Estava preenchido, todo repleto, muito bem compartimentado!"Não entendi patavina, o que significava compartimentado? Com muito rodeo ele me explicou dessa maneira: "A minha coisa toda esta cheia de outras tantas coisas que perdi o fio da meada de minha vida!"
Não resisti e então perguntei: " Por que raios você está se metendo aqui??" "Estou a fazer absolutamente nada, estou disperso, como qualquer coisa que se desgarra. Estou a girar em torno de meu núcleo vazio. Escorrendo pelo buraco negro em mim, o mesmo que me fez criar todas as coisas que na minha vida criei.”
Dei-lhe uma bofetada no meio da cara, e disse: "Pronto agora você tem uma história para contar!"
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