Obviamente
é impossível deixar de dedicar algumas palavras ao grande líder
falecido há pouco, Nelson Mandela. Inegável sua importância para a
história recente do nosso planeta, foram poucos homens que sagraram
uma carreira política e humanitária como ele trilhou.
Além
do precioso exemplo da luta contra a segregação, também foi
célebre ao se dedicar à causa em favor da paz e da democracia,
enfim, grande homem que se foi, mas deixou belíssima obra.
Seu
inegável talento como líder o levou a conquistas importantes.
Atenho-me ao talento do jovem Madiba que, dos grotões da África, se
levantou contra a tirania e a intolerância humana em prol de seu
povo.
Conseguiu
o que poucos líderes conseguem e de forma surpreendente... quem
imaginaria que um camponês de uma tribo quase isolada estaria à
frente de um dos mais importantes movimentos em prol da liberdade.
Espanta-me
como surgem as lideranças, seria sorte ou vontade divina? Não. A
liderança é habilidade humana, inata ou não... E é através
dessa habilidade que a humanidade põe em curso suas conquistas.
A
meu ver, é possível treinar e habilitar uma pessoa para a
liderança. Existem técnicas e métodos para isso, mas o que difere
o líder bem sucedido dos demais é o poder de síntese de sua visão
de mundo e um afiado senso de direção estratégico.
Mandela
tinha um objetivo tão bem traçado, a liberdade dos negros
sul-africanos, que nem mesmo a prisão foi páreo para botar fim
nele. Pelo contrário, foi o que o diferenciou de demais lideranças
e deu a ele a voz que ecou entre seus semelhantes... Nem mesmo o
remorso ou a vingança, para seus algozes, fez com que ele perdesse
seu foco.
Suas
raízes entrelaçadas numa visão de mundo tribal onde o chefe é uma
figura generosa e portadora da voz conciliadora também o
instrumentalizaram para os desafios vindouros.
O
líder deve se formar a partir de sua referência de mundo... É por
ela que é possível dialogar com os colaboradores das causas. Formar
líderes é dar voz às comunidades, aos grupos e às pessoas.
Nenhum
líder é bem sucedido se distanciado de suas origens... Deve ser por
isso que Mandela escolheu seu antigo vilarejo para o descanso final.
E nem mesmo da voz daqueles que ele lidera, pois esses escutam suas
próprias vozes reverberando nas palavras de motivação e força de
seus líderes.
Precisamos
de lideranças fortes e sábias, humildes e generosas. O mundo, mais
do que de máquinas, é carente de novas vozes que conduzirão o
planeta para novos desafios. Precisamos de pessoas que, com seus
exemplos, arrastarão multidões, assim como fez Nelson Mandela.
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