Foi
numa dessas esquinas do cotidiano que tive a oportunidade de me
encontrar com o assunto: Urbanismo. E como sou versado a palpitar em
tudo, entrei na conversa de cabeça. Espantado pelos argumentos dos
interlocultores, me dei ao luxo de expor, de forma clara, minhas
ideias e opiniões a cerca do tema. Que por sinal me atrai muito.
Como não sou da área e pouco me dedico aos estudos sobre o assunto, minha opinião foi sucinta e tem mais a ver com minhas habilidades como usuário, digital ou virtual, se assim o preferir, do que urbanista.
Bom, usuário somos todos, em maior ou menor grau. A cada dia nos conectamos mais a diversas interfaces. Redes sociais que nos comunicam e abrem possibilidades para o mundo. Interfaces móveis, é praxe vermos nas ruas e em todo lugar alguém interagindo com seu aparelho móvel, seja smarthphone ou tablet. E de modo geral, o e-mail, o endereço virtual paradigma da comunicação atual. Quem não tem e-mail não comunga da nossa contemporaneidade.
As interfaces possibilitam que os aparelhos cumpram funções ordenadas pelo ser humano, é nossa ponte entre o desejo e a execução. A passagem entre o real e o virtual. É possível encontrar no mercado centenas ou milhares de interfaces que transformam nossos aparelhos em ferramentas poderosas.
E o Urbanismo? Sim, a cidade é uma interface, se assim quisermos. Ela promove nossa interação com o mundo. Nossa realidade é fortemente vinculada à cidade. E essa estrutura social, construída e artificial, possibilita que a vida aconteça.
As cidades abrigam as instituições: Igrejas, Escolas, quartéis etc. Além de promover os encontros e desencontros. No nosso contexto, onde quase 90% dos seres humanos compartilham uma cidade como habitat, é correto inquerir se ela própria não é uma interface?
Conectando as vontades, sentimentos e pessoas, nesse sentido, cabe pensar num Urbanismo que promova uma interface social. Se a cidade está para o hardware, o Urbanismo poderia ser um software gerador de interface?
Não se espante, estou aqui usando da minha liberdade criativa e pensando numa cidade mais inteligente. Pense nas diversas interfaces que você interage e julgue criticamente a qualidade delas, possivelmente as mais amigáveis, fáceis e belas serão as de sua preferência.
Existem profissionais dedicados a desenharem interfaces mais inteligentes e amigáveis, com o intuito de manter o usuário dentro delas. As cidades, normalmente, possuem sistemas, equipamentos e processos que são ofertados aos cidadãos.

O sistema de trânsito, sistemas de saúde, sistemas de educação. Enfim, se o ser humano criou sistemas e interfaces para interagir com máquinas, por que não implantar nas cidades que não passam de estruturas sólidas?
Nesse exato momento, possivelmente, existem pessoas pensando a cidade como um sistema. Precisamos pensar em cidades-interfaces. Que possam promover uma melhor usabilidade por parte do cidadão. E não se enganem, hoje somos usuários antes mesmos de nos tornarmos cidadãos.
Cabe pensarmos nesse modelo de
usuários para a cidade? O que falta para as cidades serem mais
amigáveis, inteligentes e belas?
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